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A primavera chegou e, com ela, começam as grandes celebrações da vida. Começam a nascer as crianças feitas no Outono/Inverno, começam os passeios pelo campo e pelas serras onde, talvez este ano menos por causa do tempo, as flores acarinham os nossos alhos e olfacto e tudo à nossa volta ganha uma luz feliz que nos diz que, afinal, há muita coisa bonita.

Lembro perfeitamente quando vim do Monte, onde vivi até ao fim da minha primária, para a Aldeia e comecei a conviver com os miúdos da civilização. grandes choques. por um lado habituei-me a viver entre grupos de miúdos entregues  às coisas da modernidade: ver o Bonanza e Daniel Boone, rir com as aventuras do Speedy Gonzalez e acima de tudo saber as marcas e modelos de todos os automóveis que à data circulavam pela terra. lá veio a primeira grande humilhação quando no mais cândido dos pensamentos em voz alta digo o nome do carro à minha frente: renaulte. assim mesmo à portuguesa. Ter de repente, uma gargalhada síncrona de todos porque o pacóvio não sabia que o nome correcto era Renô foi uma humilhação de todo o tamanho, o que fez com que me tornasse, rápidamente, no maior especialista em automóveis da terra. Sentava-me junto da estrada nova (estrada de alcatrão em oposição à velha, terra batida) e memorizava modelo e marca de todo o carro que passava. até pelo barulho do motor os conhecia.

Como tudo tem o seu contrário, fui entronizado num dos repetidos rituais da época: fazer colares de flores, principalmente de malmequeres brancos e laranjas que, nas encostas que ladeavam a aldeia, existiam em quantidades impressionantes em tempo de Primavera farta.

Lá partíamos rapazes e raparigas, não havia diferença, cada um com um rolo de linha e uma agulha pedida emprestada à mãe e era uma maravilha ver raparigas a fazer os mais bonitos colares e rapazes, como não poderia ser de outra forma, os maiores. Antes de partir, uma corrida a rebolar encosta abaixo e, depois, toca aldeia adentro com colares que mais pareciam vestidos como se algo de transcendente tivesse sido vivido. Escusado será dizer que no dia seguinte eram as mães pouco satisfeitas a varrer das ruas  os restos de tanta flor alegremente roubadas à mãe natureza. Como em qualquer ritual, este passado, o interesse acabou.

Tudo isto porque ao ver Fotos de Fotógrafos de Casamento do norte da Europa, principalmente da Irlanda, o ritual da noiva com a sua Grinalda de Flores é, ainda, um belíssimo elemento que lembra a antiguidade da cultura e um resultado em Fotografia de Casamento que encanta.

Mais uma vez trago o lugar comum. Passado o ritual e a celebração do dia do casamento ficarão as Fotos executadas com todo o carinho pelo Fotógrafo de Casamento. Daí, porque eternidade é muito tempo, a escolha deverá ser cuidadosa e criteriosa. Cairá em quem souber honrar a importância do ritual.

Texto e foto: Fernando Colaço