Casamento na Quinta do Roseiral

O MOMENTO DA PARTIDA

Pode julgar-se que o trabalho do fotógrafo escolhido para o casamento  fica reduzido a seguir um guião que não precisa de realizador para poder ser seguido com algum rigor. Se assim fosse porque razão é que os  momentos antes de partir para a cobertura do dia me são tão de nervoso, de achar que hoje não vou dar conta do recado, que não posso chegar atrasado, que o caminho da casa da noiva para o cerimónia é muito confuso e posso perder-me, que o dia hoje não tem uma luz muito boa para o que eu gostava de fazer, que a hora da cerimónia é muito cedo para fazer tudo a tempo em casa dos noivos ou muito tarde para fazermos a sessão com os dois em boa luz ou mesmo a tempo, que o senhor padre pode não gostar de facilitar a tomada de fotografias, que o espaço da festa tem uma luz muito fraquinha e um pouco complicada para a fotografia, porque o local onde fazem o corte do bolo pode não ser o melhor para fotografar, enfim… tudo o que faz valer a pena ser fotógrafo de casamento. Resolver os problemas para que o nosso casal leve a melhor das memória consigo.

Em discussão em fórum de colegas desta profissão de fotógrafos em casamentos a resposta geral a estas questões foi unanime e seca: quando assim não for vou fazer outra coisa. E isto deixou-me descansado porque o que poderia ser atitude de falta de segurança não é mais do que grande gosto pelo que fazemos, um bom ético sentido de responsabilidade para quem em nós confiou mantendo-nos alerta e disponíveis para todas as relações de diferença que acontecem e tornam cada dia de casamento único para cada casal.

Assim foi no casamento da Mónica e do António na Quinta do Roseiral. Eu comecei a escrever acima que este nervoso existe antes do começo do dia. E assim é. Uma vez a pressão do botão de obturação se dá pela primeira vez a coisa começa, desaparece esse estado, tal cantor a partir da primeira nota, e começa outro que faz desaparecer o tempo até ao último disparo como se tudo se tivesse passado num bocadinho. É claro que o pescoço, as costas e as pernas me dizem que não. Que foi tarefa de dureza e de satisfação e que chegou ao fim cumprida com se esperava. Assim espero que o sintam nas fotografias que vão. À Mónica e ao António muito obrigado do seu fotógrafo de casamento.

Texto e Fotos: Fernando Colaço

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