A noiva ainda dentro automóvel quando chega à igreja para a cerimónia do casamento, com os pais reflectidos no vidro da porta.

Fotógrafo irrequieto, no casamento

NÃO PODEM FUJIR pelo FOTÓGRAFO DE CASAMENTO

A noiva ainda dentro automóvel quando chega à igreja para a cerimónia do casamento, com os pais reflectidos no vidro da porta.

Sei que, quando fotógrafo de casamento e assim que tenho uma minhas duas câmaras pendurada ao pescoço e a outra no meu ombro esquerdo com o saco das lentes no outro, me transformo naquelas crianças incapazes de estar quietas por tudo quererem saber, tudo servir para objecto de curiosidade e, com isso, por vezes se tornem incomodativas a adultos com tendência a não terem paciência para tanta azáfama. É verdade que, e não tenho explicação par isso, a partir do momento em que tenho razões para levar uma delas à cara, poder fechar o meu olho esquerdo para que o direito veja bem pelo rectângulo com que as máquinas fotográficas mostram o mundo ao fotógrafo e lhe fazem ver tudo de outra maneira, aos pedaços, fico com um frenezim que pode, aqui e ali, importunar vigário celebrador mais dado a calmarias enquanto tanta coisa se quer dar a máquinas fotográficas sedentas.

De vez em quando, dou por isso e tento dar sinal ao fotógrafo de casamento, que já está num modo que parece aquelas pessoas que, através de ritual próprio, ficam numa espécie de transe e, a partir daí, não é possível comunicar com elas. Como sei que há padres, isto só acontece nas igrejas, que não têm muita paciência para crianças inquietas, fico um pouco em pânico quando o vejo esticado e encostado àquele pilar que lhe dá um excelente ponto de vista, para um plano muito bonito da noiva, e mal desvio olhar lá está ele, de cócoras, a ver se aproveita a borda da toalha do altar para fazer de moldura a plano do noivo, que está um pouco mais à esquerda. Quando estou a tentar fazer-lhe sinal para se acalmar antes que seja o padre a fazê-lo, já anda no meio dos convidados a levar-lhes momentos para vir, mais tarde, a mostrar aos noivos, já depois do casamento feito.

É claro que uma vez, só uma, tal como as tais crianças curiosas, esgota a paciência do padre e é admoestado a ficar ali, naquele sítio, quieto, porque quem sabe do assunto é ele. Baixa a cabeça em sinal de respeito, que sim senhor padre desculpe lá mas isto é mais forte do que eu e há tanta coisa para poder fotografar e se não o fizer vai perder-se para sempre e eles não vão poder casar outra vez e depois se não levo as fotografias dizem que não presto e não está certo que o senhor num dia destes impeça um coisa destas……a pensar claro, porque em voz alta daria em convite a esperar lá fora e assim, estragar tudo de uma vez só. Mas, aquela criança é mais forte e depenica, aqui, finge que está só a espreitar ali, muda de lente para lá mais longe e, pé ante pé, lá vai descobrindo e apanhando aquela fotografia malandra que se estava a escapulir e era uma pena. No entanto, já sabem que o fotógrafo de casamento tem uma imaginação exagerada e que os padres até são bem pacientes com ele e, no fim, tudo se arranja e a história daquela cerimónia cumpriu-se como todas as outras. Mas, se fosses um pouco mais paciente….já sei, havia muitas fotografias que nunca tinham a possibilidade de o ser para sempre, e como fotógrafo do casamento, e isso não pode ser. Entendo.

Na praça da igreja, a noiva recebe alguns ajustes na cauda do vestido enquanto os meninos cos as alianças se dirigem para dentro.

Com o menino e a menina com as alianças pela frente, a noiva, com o seu pai, percorrer a igreja até a altar para junto do noivo.

O momento, captado pelo fotógrafo de casamento, em que a noiva chega junto do noivo para a cerimónia do casamento.

Sentados de frente para altar os noivos conversam sobre algo, sorrindo, vistos pelo fotógrafo de casamento.

Entre o altar e os convidados os noivos em conversa, antes do começo da cerimónia do casamento.

Por entre elementos decorativos da igreja, desfocados, a noiva, sentada, olha para o bouquet.

O noivo olha em frente escutando o padre, visto pelo fotógrafo de casamento por entre elementos da igreja, desfocados.

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