O noivo, sorrindo, quando aperta os botões da camisa na sua preparação para a cerimónia, visto pelo fotógrafo de casamento.

O fotógrafo e as regras da educação para um casamento

OBEDIENTE pelo FOTÓGRAFO DE CASAMENTO

O noivo, sorrindo, quando aperta os botões da camisa na sua preparação para a cerimónia, visto pelo fotógrafo de casamento.

Entrar na intimidade das famílias, nas suas casas e hábitos sempre foi uma coisa que me intimidou respeitosamente, desde que sou fotógrafo de casamento.

Sei que fui convidado para tal, que vou cumprir a minha da missão para registar a missão dos outros e que serei sempre recebido da melhor maneira. Como me conheço de máquinas na mão, sei que tenho uma certa tendência para me esquecer que não sou a pessoa que mais importa ali.

Tal como o volante do automóvel faz perder o juízo a muitas pessoas, a máquina fotográfica transforma-me, como o fazem certos objectos àqueles personagens das histórias aos quadradinhos dos super heróis e, uma vez ou outra, posso abusar da confiança que me foi depositada.

Posso ser como aqueles gatos que acham que são os donos do local e não precisam de dar contas a ninguém. Se é preciso agachar-me ali ao fundo não peço a ninguém, se me faz falta um banco para subir o ponto de vista, vou à procura de um para não perder tempo burocrático com pedidos, se me fica melhor quase fechar a porta e deixar apenas uma língua de luz com noivo ao fundo, não há tempo com por favor e por aí fora.

Este castigo que tenho é por ser obediente objecto de uso, e abuso, incondicional de máquinas com lentes agarradas a elas, e, por vezes, esqueço-me daquelas regras fundamentais quando somos meros convidados, mesmos que pagos para isso, na casa de alguém.

Mas, percebam que não é fácil quando tenho as minhas, ou melhor, quando sou servo de lentes tiranas que, constantemente, me estão a mandar para ali que vejo melhor, assim está em condições vê lá se agachas ou estou farta de ver tudo ao mesmo tempo, vê lá me arranjas moldura para ficar só o que eu quero.

Então, uma delas, é de fugir, se não lhe obedeço de imediato, é capaz de me atazanar o resto do dia porque, uma única vez, não fui logo fazer o que me estava a pedir.

Isto é para dizer que, se por acaso, vier a ser o fotógrafo de casamento de alguém que está a ler este texto, não me levem a mal se, por acaso, uma outra vez não respeitarei, como deverá ser, uma ou outra regra de boa educação, quando estamos na casa de outra pessoa.

Ficam já a saber que a culpa não é minha. Não tenho, mesmo, outro remédio. Por outro lado, fiquem descansados, que, pelo que têm de chatas e imperiosas, as minhas lentes são muito competentes e sabem o que fazem e, se não fossem elas e pelo seu próprio talento, o fotógrafo de casamento não vos entregaria nada de jeito.

Por vezes até as máquinas fotográficas ficam de boca aberta com o elas são capazes de lhes atirar lá para dentro e quando, uma ou outra vez, me sentem a hesitar e a começar a soletrar um por favor será que posso…nem te atrevas, faz o que mandam, já.

É verdade que, até hoje, nunca tive um único reparo ao fotógrafo de casamento da parte de alguém que estivesse com noivos em preparação para o grande dia. Talvez nem se apercebam e eu seja mesmo invisível como às vezes digo ou, então, sejam apenas delicadas e tenham pena de mim por se aperceberam que estou ao serviço de umas tiranas, com egos muito acima do que deviam.

Talvez.

Pormenor do noivo apertando os cordões dos sapatos, numa composição do fotógrafo de casamento.

O noivo, na sua preparação para o casamento, junto do pai que lhe abotoa os botões de punho da camisa.

Depois de pronto para a cerimónia, o noivo junto de dois amigos e da avó que lhe ajusta o arranjo de flores na lapela do casaco, conforme os viu o fotógrafo de casamento.

Um retrato do noivo, de mãos nos bolsos das calças, olhando em frente  e sorrindo, feito pelo fotógrafo de casamento.

O irmão e o pai do noivo quando o fotografam, quando está pronto para partir para a cerimónia, captados pelo fotógrafo de casamento.

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