O fotógrafo, o confinamento por causa de um vírus, o noivo e a vontade de fotografar casamentos

HÁ SEMPRE UM NOIVO pelo FOTÓGRAFO DE CASAMENTO

Na minha resposta ao apelo das minhas máquinas fotográficas e lentes, já fartas de tanto esperar por acção e impedidas de dar largas à sua alegria perante noivos, noivas, convidados, Igrejas e Quintas e aqueles fugazes momentos de idas e vindas que tanto as faz felizes, por causa de um bicho muito pequenino que para aí anda e que não gosta nada de pessoas, tive que encontrar uma noiva para um artigo, alguns dias atrás, e um noivo para este. Foi o que me impuseram.

Devo dizer que não foi fácil. Parti para tarefa que julgava impossível porque, apesar de viver dos casamentos dos outros, não encontrava em casa nada que pudesse substitui-los em tarefa tão imperativa. Felizmente o meu filho não levou, ainda, com ele os seus soldadinhos de chumbo. Mas, por mais que procurasse naquela parada de militares de tempos que já se foram, nenhum deles se parecia com um noivo a não ser em cerimónia urgente mesmo antes de partir para a guerra, coisa que não ficava bem, e coisas de guerra não fazem parte dos gostos do fotógrafo de casamento.

Mas, quando o fotógrafo de casamentos já estava para desistir, um grito amarelo com pintas azuis e manchinha vermelha chegou-me aos ouvidos quando estava já a fechar à porta do quarto. Então eu não sirvo? A minha espada parece de cerimónia, como tu explicas aos noivos a razão do pai da noiva ficar à sua esquerda, o que tenho na mão mais parece uma prenda que irei dar à noiva e, não é por nada, mas estou muito bem vestido. Tenho uma cara de desconfiado, mas sou bom rapaz. Humm…está bem, se te portares bem, fores simpático, depois, com a noiva, vamos a isso e não há-de ser vírus irritante que nos vai impedir de nos divertirmos.

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