Antes de sair do automóvel para a cerimónia do casamento, a noiva num momento de grande introspecção, com o bouquet na mão, vista pelo fotógrafo de casamento em Sintra.

O fotógrafo, os rostos, as emoções e os casamentos

ELE LÁ ESTARÁ pelo FOTOGRAFO DE CASAMENTO

Antes de sair do automóvel para a cerimónia do casamento, a noiva num momento de grande introspecção, com o bouquet na mão, vista pelo fotógrafo de casamento em Sintra.

Aquela serenidade inquieta. Reparo, mesmo já nas fotografias que resultaram, que, normalmente, vejo nos rostos dos principais implicados na grande coreografia, mas verdadeira, que é o dia do casamento, uma certa sensação de inquietação que os faz ou rir de uma certa maneira ou, mesmo, volta e meia, dar com eles como quando se está perante uma coisa mesmo muito importante.

Não são rostos de dúvida, mas de expectativa. Sentirem que vão participar em algo especial e que precisa de correr como sempre o sonharam. Daí, o fotógrafo de casamento sentir, também, uma certa compulsão que o impele à descoberta desses rostos, porque nos outros, que lá estão, só encontro alegria e sorrisos aos montes.

São os raros, os que lhe garantem aquelas as fotografias que vão fazer a diferença, no meio das outras todas que lá andavam ao longo do longo do dia, naquele preciso momento, que é um daqueles que o fotógrafo sabe que tem que ser esse, ou perde-o para sempre. Esses são valiosos.

Seja em noivas ou noivos, mais cedo ou mais tarde eles lá estão. O fotógrafo de casamento já sabe que, se estiver atento, eles vão aparecer e não lhe podem fugir, porque todos os outros que vai encontrar em todos os outro momentos, não se compreenderão sem eles.

São eles que nos mostram, depois nas fotografias, que era importante. Podem perguntar, mas como é que em dia de festa vais encontrar rostos pensativos como se estivessem com os olhos a olhar para trás deles ou para outro sítio que só eles é que estão ver? Pois, mas é assim. É claro que, com o tempo, fui traçando as minhas teorias sobre o assunto e não deve ser muito diferente disso.

Ou estão tão ansiosos que chegue aquela hora de dizer que sim, que querem, que aceitam e de uma assentada se libertem dela, da ansiedade gerada pelos momentos importantes, pronto já está. Ou, também poderão estar a tentar fazer uma coisa que, infelizmente não é possível, nem para eles nem para todos os que já casaram antes deles, desde o princípio do mundo, nem os que o irão fazer até sabe-se lá quando.

Convenhamos que, se fosse possível adivinhar como irá ser depois do sim, não teria muita graça. Saber, num ápice, que vida seria a vida depois dali, impediria que ela se fosse fazendo como deve, em cima da que foi, resolvendo a que é, e planear a que será.

É assim e não pode ser de outra maneira. E que privilégio tem o fotógrafo de casamento a observar esses rostos, nesses momentos, mesmo que nunca venha a saber a razão deles. Ele não é o padre que os vai casar, não é nenhum dos padrinhos que vão jurar que estarão sempre com eles para rir e para chorar e, também, não é pai nem mãe que à maneira de cada um também me oferecem desses rostos. Ele é só um apanhador de emoções que gosta de transformar em fotografias.

E não é pouco. Imaginem que essas emoções, desses rostos, ficavam por ali sem ninguém para se lembrar delas. Que desapreciam de tal maneira a não haver história que se lembrasse delas, ou por mais ninguém as ter visto ou porque na memória das pessoas, o tempo, tudo leva.

Mas ele, o fotógrafo de casamento estava, e estará, lá sempre que, mesmo de forma fugaz, eles, os rostos, apareçam carregados delas, as emoções.

Ah!!…depois da cerimónia do sim, seja ela onde for, nunca mais os vejo assim. Vá-se lá saber porquê.

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