Menina esconde-se por detrás da avó quando chega, também com o avô, à igreja da cerimónia, pelo fotógrafo do casamento em Lisboa.

Os enigmas das fotografias, num casamento

ANTES DO QUE IMPORTA pelo FOTÓGRAFO DE CASAMENTO

Menina esconde-se por detrás da avó quando chega, também com o avô, à igreja da cerimónia, pelo fotógrafo do casamento em Lisboa.

Antes de o ser já está a acontecer. Ainda bem que as coisas que se fazem no dia de um casamento são como uma estrada que vai deslizando ligando pontos que, no fim, fazem o percurso. É por isso que o fotógrafo de casamento consegue tecer uma trança que vai transportar olhares até que se perceba do feitio e dos pormenores. Por isso gosto muito de poder chegar ao local da cerimónia um pouco antes de tudo se precipitar naquele turbilhão que não me vai dar tempo nem espaço para o que está ao lado, ali mais em baixo ou lá em cima à espera. A aparente calma de quem vai chegando e vai recebendo quem, também, o vai fazendo olá como estás há quanto tempo também vieste temos muito que falar já viste a noiva será que vai começar a horas trouxeste as alianças o padre ainda não chegou e muitas outras pequenas coisas que parece só acontecerem à porta de Igrejas prontas a receber nubentes a um passo do sim daqui a pouco.

Sou um aficcionado pelo retrato mas não consigo ir para a rua da cidade e fotografar as pessoas que lá estão. Tenho sempre a sensação que as estou a roubar e roubar é crime. Assim, ser fotógrafo em casamento tira-me esse peso de cima e posso fotografar à vontade que ninguém me irá pedir contas, a não ser com aquela piada muito ouvida do veja lá se lhe estrago a máquina a da tire-me lá vinte anos. É por isso que aqueles momentos que antecipam o grande acontecimento me deixam nas minhas sete quintas e ninguém ali é mais feliz do que eu e, ainda por cima, estou a ser pago para isso. Não é para toda a gente. Daí ter que fazer o melhor de mim, e do uso das minhas máquinas fotográficas e lentes, para compensar a generosidade pelo privilégio com que me brindaram.

As fotografias são sempre um enigma. Que quererá dizer aquela expressão? Para quem estará a sorrir? Quem virá lá para que todos olhem? Por que se esconde? Conversa sobre sapatos? Será que chegou a noiva? São perguntas que ficarão no ar para quem lá não estava e mesmo para o fotógrafo de casamento, pelo menos algumas delas. Fotografo, não gravo conversas. Mas, se deixarmos que a nossa imaginação se solte podemos sempre completar, ou responder à essas perguntas que as fotografias deixam no ar e, para mim, as melhores são as que não dão resposta e deixam sempre o enigma no ar. Por vezes, quando se juntam algumas delas, conseguimos saber a resposta e é por isso que gosto de as apanhar. Para fazer uma história onde nenhuma delas é a mais importante e só quando todas ligadas cada uma delas, as fotografias, ganha o seu sentido fundamental. Talvez, no fundo, eu seja mais um contador de histórias do que um fazedor, ou apanhador como gosto, de fotografias. Pelo menos fico feliz por pensar assim.

O noivo com dois amigos esperando em frente da igreja para a cerimónia do seu casamento.
A menina, filha dos noivos a brincar entre os bancos da Igreja.
O noivo e convidados em conversa em frente da igreja.
Menina, de mãos dados com o pai, a olhar para os sapatos, na porta da igreja da cerimónia do casamento.
Uma convidada do casamento olha para trás, sentada na igreja.

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