Três palavras importantes num dia de casamento

Vista no meio de elementos muito desfocados, a noiva, com rolos no cabelo, sorri para alguém num momento captado pelo fotógrafo de casamento em Sintra.

AS ESTÓRIAS pelo FOTÓGRAFO DE CASAMENTO EM CASCAIS

Vista no meio de elementos muito desfocados, a noiva, com rolos no cabelo, sorri para alguém num momento captado pelo fotógrafo de casamento em Sintra.

Algumas das fotografias dos noivos ainda na fase preparação para o casamento

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As três palavras do dia de casamento

Por entre os braços desfocados da cabeleireira, a face do noivo muito concentrado durante o corte do cabelo para o seu dia de casamento na Quinta de Nossa Senhora da Serra em Sintra.

Há três palavras importantes num dia de casamento e, para um fotógrafo de casamento, talvez sejam as palavras para onde todas as outras fotografias acabam por apontar.

Ainda gostava de saber a razão; dei-me mesmo agora a pensar nisso, porque são tantas as fotografias do casamento sobre os vestires de fatos, vestidos e todos os outros fazeres que são precisos para que saia um noivo e uma noiva pela porta e voem na direcção um do outro, para um sítio onde vão, sem que duvidem um bocadinho, dizer um ao outro: sim, eu aceito.

São essas as três palavras mais importantes de um dia de casamento.

É para elas que tudo o que fazem, desde que a manhã é manhã, converge.

Seria uma pena que se perdessem as fotografias

Rosto do noivo, rodeado de elementos  amarelos desfocado e com as mãos da cebeleireira por detrás, durante o corte do cabelo antes de se preparar para a cerimónia, captado pelo fotógrafo de casamento em Cascais.

Não é de admirar, portanto, que muitos artigos de um fotógrafo de casamento, no seu blog, no seu sítio da internet, sejam exactamente sobre essa altura. A primeira parte do dia.

Aquela que começa quando ainda há muita coisa para fazer, quando o casamento ainda não aconteceu e, no entanto, já está tudo a acontecer.

Há casos em que os noivos, na reunião, lhe dizem que não é preciso.

Que dispensam as fotografias em casa.

Que não têm muito interesse nisso.

E ele, em vez de dizer logo que sim, porreiro, menos trabalho, não preciso de sair tão cedo, vou logo nas calmas para a cerimónia em vez de ir em corridas por caminhos que não conheço, faz tudo para os convencer de que não têm razão.

Não é uma questão de querer começar mais cedo só porque sim.

  • É que o dia do casamento vai ter uma história.
  • E todas as histórias têm um princípio.

Seria uma pena não ficarmos com um registo do ambiente da manhã. Seria uma pena que alguns dos afectos que vão receber nessa altura ficassem apenas na memória de quem lá estava.

Seria uma pena que determinadas conversas, determinados gestos, determinadas esperas e aquela confusão muito própria de uma manhã de casamento desaparecessem simplesmente porque se decidiu que ainda não eram fotografias importantes.

Vão receber muitos afectos e seria uma pena não os recordarem depois, em fotografias, etc., etc. e etc.

Não fazem a mais pequena ideia de quantas fotografias eu consigo nos etcs. Seria uma pena que se perdessem para sempre antes de o terem sido.

Seria uma grande injustiça para elas.

A primeira parte do dia do casamento

O ramo da noiva sobre uma pequena mesa, emoldurado por panos vermelhos desfocados numa composição do fotógrafo de casamento em Cascais.

Vejam lá as conversas que ele tem com os noivos só para não perder aquela parte do dia do casamento.

É claro que algumas partes do seu corpo, que vão chegar ao fim do dia completamente esgotadas, doridas e desejosas que tudo acabe cedo ou comece tarde, não gostam muito dessa conversa.

Mas como só se começam a poder manifestar lá mais para o tarde do dia do casamento, nesta altura não dão nenhum sinal ao fotógrafo de casamento de que não gostam lá muito da ideia.

E ele continua.

Continua porque há qualquer coisa naquela primeira parte do dia que lhe parece importante. O noivo ainda não está onde vai estar mais tarde. A noiva ainda não está onde vai estar mais tarde. Os convidados do casamento ainda não chegaram todos ao momento em que o casamento vai ganhar outra forma.

Há uma espécie de antes.

E esse antes também faz parte da história.

É ali que começam os preparativos para que, mais tarde, as três palavras possam ser ditas.

Por isso, quando o fotógrafo de casamento insiste em estar presente, não está necessariamente a tentar acrescentar fotografias só para acrescentar fotografias. Está a tentar não deixar cair uma parte da história pelo caminho.

E talvez seja essa a parte que os noivos, naquele momento, ainda não conseguem ver.

Ponto por ponto:

A noiva olha para o lado, vista de costas num espelho de um móvel, com os rolos no cabelo quando se preparara para o dia do casamento na Quinta de Nossa Senhora da Serra em Sintra.
  • O que os noivos fazem logo que começa a manhã tem como objectivo chegarem ao momento em que aquelas três palavras obrigatórias serão ditas: sim, eu aceito, na cerimónia do casamento.
  • É por isso que o fotógrafo de casamento tudo faz para convencer os noivos a deixá-lo ir ter com eles, para que a história do dia fique completa em fotografias.
  • A manhã não é apenas o tempo que falta até à cerimónia. É o princípio da história que os vai levar até lá.
  • Apesar de haver partes do seu corpo que, lá para horas tardias, não lhe digam coisas bonitas pela decisão, o fotógrafo de casamento sabe que será sempre pelo bem do noivo e da noiva.

Precisa de saber:

Sentada, a noiva sendo penteada, com a cabeleireira por detrás dela, vista num espelho numa composição pelo fotógrafo de casamento em Cascais.
  • Um fotógrafo interessado naquilo que serve melhor os noivos, mesmo os que pensam que não é preciso, deverá estar no seu casamento.
  • Há fotografias que só podem ser feitas antes do dia chegar ao momento que todos esperam.
  • E há uma diferença entre ter fotografias de um casamento e ter fotografias que contam o casamento desde o princípio.

Parece que ele tem sucesso.

Pelo menos a olhar pelo seu blog, onde tantos e tantos artigos são, exactamente, sobre a primeira parte das partes que o dia do casamento tem.

Ele, o fotógrafo de casamento, lá sabe. Mas uma coisa podemos depreender daqui: é tudo pelo bem do noivo e da noiva.

Bem… e dele também. Um bocadinho. Pois…

Conclusão:

Talvez seja por isso que estas três palavras sejam tão importantes.

Não apenas porque são as palavras que os noivos vão dizer um ao outro quando finalmente chegarem ao momento para o qual tudo foi preparado, mas também porque tudo o que acontece antes delas também faz parte desse momento.

A roupa, os preparativos, as pessoas, os afectos, as conversas, a espera, a pressa e todas aquelas pequenas coisas que ainda não parecem ser o casamento estão, afinal, a levá-los até lá.

E seria mesmo uma pena que, quando tudo terminasse, faltasse precisamente o princípio da história.

Se quer que a história comece antes da cerimónia

Se sente que a manhã do casamento também merece ser lembrada, vale a pena falar comigo antes de decidir que essas fotografias não são necessárias. Muitas vezes, aquilo que parece apenas preparação é exactamente o que ajuda a contar como aquele dia começou. E eu gosto de estar lá para o ver acontecer, antes das três palavras que mudam tudo.


Por Fernando Colaço

Fotógrafo de casamentos Fernando Colaço. Estilo natural, discreto e fotojornalístico. Deixo que as fotos contem a história.