A preparação do noivo pelo olhar de um fotógrafo de casamento

Depois de vestido, o noivo, num retrato pelo fotógrafo de casamento na Serra da Estrela, emoldurado num espelho antigo da casa dos pais.

ACOMPANHADO, OU NÃO pelo FOTÓGRAFO DE CASAMENTO EM SEIA

Depois de vestido, o noivo, num retrato pelo fotógrafo de casamento na Serra da Estrela, emoldurado num espelho antigo da casa dos pais.

As fotos são do noivo, quando se veste para o casamento, com a ajuda do pai e da irmã, em Seia na Serra da Estrela

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A preparação do noivo: quando o fotógrafo de casamento aprende a ver de outra forma

O noivo abotoa a camisa quando se veste para a cerimónia, visto pelo fotógrafo de casamento na Serra da Estrela por entre uma porta semi fechada.

Quando comecei a trabalhar como fotógrafo de casamento, havia uma situação que se repetia quase todos os fins de semana e que, confesso, me deixava sempre com a mesma sensação.

Chegava para fotografar a preparação do noivo e encontrava-o, quase sempre, sozinho. Enquanto isso, a noiva vivia rodeada de familiares, amigas, madrinhas, cabeleireiros e maquilhadores, num ambiente onde tudo parecia acontecer ao mesmo tempo.

O contraste era evidente.

Talvez por isso, durante os primeiros casamentos que fotografei, sentisse uma certa necessidade de compensar essa diferença. Procurava dedicar ainda mais atenção ao noivo, imaginando formas de tornar aqueles momentos igualmente ricos em fotografias de casamento.

Parecia-me injusto que um tivesse um cenário tão cheio de vida e o outro aparentasse enfrentar aqueles minutos quase em silêncio.

Hoje, muitos anos depois, sorrio quando me lembro dessa ideia.

Percebi rapidamente que estava completamente enganado.

O noivo não precisa do mesmo cenário da noiva

Pai e a irmã do noivo ajudam-no a vestir a casamento quando este se prepara para a cerimónia do casamento em Seia, Serra da Estrela.

A experiência ensinou-me que o erro estava em comparar duas realidades que nunca precisaram de ser iguais.

A preparação da noiva tem um ritmo muito próprio. Há vestidos, acessórios, penteados, maquilhagem e um sem-número de pequenos detalhes que ajudam a construir o ambiente.

Há sempre alguém a conversar, alguém a rir, alguém a dar uma opinião ou simplesmente a assistir ao momento.

Já o noivo vive estes instantes de forma diferente.

Na maioria das vezes, tudo acontece com muito menos pessoas, muito menos ruído e muito menos distrações. E isso não representa uma desvantagem. Pelo contrário.

Foi precisamente essa simplicidade que me fez compreender que cada preparação tem a sua própria identidade e que seria um erro tentar fotografá-las da mesma maneira.

É essa diferença que torna cada reportagem única.

Há gestos que valem mais do que qualquer encenação

Já vestido e pronto para partir para a cerimónia do casamento, o noivo, num espelho, dá um jeito no penteado.

Ao longo dos anos fui percebendo outra coisa.

Os noivos gostam, normalmente, de tratar da maior parte da preparação sozinhos. Vestem a camisa, apertam os punhos, calçam os sapatos e ajustam a gravata com uma tranquilidade que contrasta com o movimento constante que, tantas vezes, encontro do outro lado da reportagem.

Mas há sempre pequenas exceções.

De repente, entra o pai para confirmar se a gravata ficou direita. A mãe aproxima-se para alisar a lapela do casaco. Um irmão observa tudo em silêncio até encontrar um pequeno detalhe para corrigir. São gestos simples, quase automáticos, mas carregados de significado.

Na verdade, nem lhes chamaria ajuda.

Prefiro vê-los como demonstrações discretas de carinho.

São aqueles últimos gestos de quem acompanhou o noivo durante toda a vida e que, naquele momento, percebe que ele está prestes a iniciar uma nova etapa.

São instantes breves.

Às vezes duram apenas alguns segundos.

Mas, quando acontecem, transformam-se frequentemente em algumas das fotos de casamento mais emocionantes de todo o dia.

Quando há menos para fotografar, há mais para observar

Num espelho e com uma jarra de rosas cor de laranja desfocadas, o noivo olha para si, verificando de está tudo em condições para partir para a cerimónia do casamento.

Foi precisamente aqui que descobri um dos maiores desafios da fotografia de casamento.

Enquanto a preparação da noiva oferece inúmeros elementos visuais que ajudam naturalmente a construir imagens, a preparação do noivo obriga o fotógrafo a trabalhar de outra forma.

Já não existem dezenas de objetos espalhados pelo quarto nem um ambiente constantemente preenchido por pessoas.

  • Existe espaço.
  • Existe silêncio.
  • Existe tempo para observar.

E isso muda completamente a forma de fotografar.

Comecei a prestar muito mais atenção à luz que entrava pela janela, às sombras projetadas nas paredes, aos reflexos num espelho ou ao simples gesto de apertar um botão da camisa. Aquilo que, à primeira vista, parecia faltar acabou por se revelar uma enorme vantagem.

Sem distrações, as emoções tornam-se mais evidentes.

Sem excesso de informação, o olhar concentra-se naquilo que realmente importa.

É precisamente nessa simplicidade que encontro muitas das imagens que mais gosto de entregar aos meus noivos.

Um desafio que nunca é igual

Há quem pense que fotografar a preparação do noivo é mais fácil porque acontece menos coisa.

A minha experiência diz-me exatamente o contrário.

Quando existem menos elementos, cada detalhe ganha mais importância. O enquadramento, a luz, a expressão do rosto ou o momento certo tornam-se decisivos para construir uma imagem que conte verdadeiramente aquela história.

É por isso que continuo a encarar esta fase do dia de casamento como um pequeno desafio:

Não porque seja difícil. Mas porque obriga a olhar com mais atenção.

A antecipar em vez de reagir.

A observar antes de fotografar.

E, curiosamente, são precisamente esses desafios que continuam a tornar esta profissão tão apaixonante, mesmo depois de tantos casamentos fotografados.

Quando os amigos entram em cena

Encostado num corrimão na casa dos pais, o noivo, de pé, olha em frente antes  de ir para a cerimónia do casamento em Seia na Serra da Estrela.

Nem todos os noivos vivem os preparativos em silêncio. Há casas onde, pouco depois de eu chegar, começam a aparecer os amigos mais próximos. E, quando isso acontece, o ambiente muda completamente.

As conversas tornam-se mais animadas, surgem as inevitáveis brincadeiras e alguém encontra sempre uma forma de complicar aquilo que parecia simples.

Há quem esconda a gravata por uns segundos, quem faça um comentário que provoca uma gargalhada geral ou quem aproveite para recordar histórias que dificilmente seriam contadas noutra ocasião.

É impossível controlar estes momentos. E ainda bem.

São precisamente essas reações espontâneas que ajudam a construir uma reportagem verdadeira. Nunca senti necessidade de interromper uma brincadeira para pedir que olhassem para a câmara ou repetissem um gesto.

O meu papel é outro: observar, antecipar e estar preparado quando a fotografia acontece.

Porque acontece sempre.

O fotógrafo de casamento adapta-se ao momento, não o contrário

Uma das maiores lições que os casamentos me ensinaram é que não existe um cenário perfeito para fazer boas fotografias de casamento.

Há noivos que preferem preparar-se completamente sozinhos, aproveitando aqueles minutos para organizar os pensamentos antes da cerimónia do casamento.

Outros fazem questão de estar rodeados pelos pais, irmãos ou amigos de infância, transformando a preparação numa pequena celebração antes de tudo começar.

Nenhuma destas opções é melhor do que a outra.

Cada uma revela um lado diferente da personalidade de quem vai casar.

E é precisamente essa personalidade que procuro fotografar.

Nunca senti que tivesse de criar emoções onde elas não existem. Muito menos transformar pessoas calmas em pessoas expansivas apenas para conseguir imagens mais chamativas.

A melhor fotografia de casamento nasce quando cada pessoa pode simplesmente ser ela própria.

O que realmente procuro fotografar

Com o passar dos anos, percebi que há pequenos momentos que acabam por ter muito mais importância do que aparentam no instante em que acontecem.

São esses momentos que procuro durante a preparação do noivo.

  • O último olhar ao espelho antes de sair.
  • Um sorriso inesperado provocado por um amigo.
  • O pai a compor discretamente a gravata.
  • A mãe a olhar para o filho com um misto de orgulho e emoção.
  • O silêncio que antecede a saída de casa.
  • Os pequenos gestos que contam a história do dia de casamento sem necessidade de palavras.

Nenhum destes momentos pode ser planeado.

Acontecem porque fazem parte da vida.

E é precisamente por isso que continuam a ser tão importantes muitos anos depois.

No final, são sempre as pessoas que fazem as fotografias

Hoje já não olho para a preparação do noivo da mesma forma que olhava quando comecei. Aquela sensação inicial de que lhe faltava alguma coisa desapareceu há muito tempo.

Percebi que não lhe faltava absolutamente nada. Apenas era diferente.

E essa diferença acabou por se transformar numa das partes mais interessantes da reportagem.

Como fotógrafo de casamento, aprendi que não preciso de um quarto cheio de pessoas para contar uma boa história. Basta haver verdade.

  • Pode existir silêncio.
  • Pode haver apenas um pai e um filho.
  • Pode haver uma casa cheia de amigos.

Ou simplesmente um noivo sozinho a apertar os botões da camisa enquanto pensa naquilo que está prestes a viver.

Tudo isso faz parte da história.

E todas essas histórias merecem ser recordadas através de fotografias que respeitem aquilo que realmente aconteceu.


Conclusão:

Durante muitos anos pensei que a preparação do noivo fosse o lado mais simples de fotografar num casamento. A experiência mostrou-me exatamente o contrário.

É, muitas vezes, nos momentos mais discretos que encontro as imagens mais autênticas e emocionantes.

Quando deixamos de comparar o noivo com a noiva, percebemos que cada um vive este dia à sua maneira e que essa diferença é precisamente o que torna cada reportagem única.


Vamos falar sobre o vosso casamento?

Se procuram um fotógrafo de casamento que valorize os momentos naturais e a autenticidade acima de tudo, terei todo o gosto em conhecer a vossa história.

O meu objetivo é criar uma reportagem em que cada fotografia tenha significado e em que o vosso dia seja recordado exatamente como aconteceu, sem encenações nem artificialismos.




Por Fernando Colaço

Fotógrafo de casamentos Fernando Colaço. Estilo natural, discreto e fotojornalístico. Deixo que as fotos contem a história.