As coisas importantes para fotografar num dia de casamento

Três convidadas do casamento espreitam para dentro do quarto onde a noiva se veste para a cerimónia na Igreja Matriz de Reguengos de Monsaraz.

PELO VISOR pelo FOTÓGRAFO DE CASAMENTO NO ALENTEJO

Três convidadas do casamento espreitam para dentro do quarto onde a noiva se veste para a cerimónia na Igreja Matriz de Reguengos de Monsaraz.

As fotos são na preparação da noiva para o casamento, com a ajuda dos pais e com quem a quer ver

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Coisas muito importantes para fotografar

O pai da noiva, atentamente, aperta a bracelete no pulso da noiva, sua filha.

As coisas muito importantes de um dia de casamento. É claro que, assim, de repente, serão todas. Para um fotógrafo de casamento, o dia começa logo assim que recolhe o primeiro fotograma, seja na casa do noivo, com ele, ou na casa da noiva, com ela.

Bem, até não é bem assim, porque o primeiro costuma ser sempre com aqueles objectos que irão fazer parte deles durante todo o dia. Mas percebem a ideia.

Há sempre qualquer coisa que está à espera de ser fotografada.

Durante todo o dia do casamento, encontramos coisas muito importantes para fotografar. Há acontecimentos essenciais, como a cerimónia das alianças; há objectos simbólicos sem os quais aquele casamento não seria exactamente aquele casamento, como o ramo da noiva; e há tantos outros pormenores que parecem estar ali apenas porque têm de estar.

Às vezes, até aquela flor pequenina que o fotógrafo de casamento viu num dos muros do espaço da festa se revelou muito importante para a decoração do livro que, depois, construiu para os noivos.

Cumprir o que estava prometido, para o dia do casamento

A noiva, também reflectida num espelho, quando a sua mãe lhe prende o véu nos cabelos.

Mas não é isso que me interessa hoje.

Se fosse por aí, então nada seria de facto importante a não ser para preencher o texto de um artigo sobre o dia. Tudo teria o seu lugar, tudo teria uma função, tudo poderia ser fotografado, e no final teríamos uma colecção de coisas que aconteceram.

Mas são outras as coisas que me interessam.

São importantes aqueles gestos que constroem uma noiva ou um noivo.

Para o fotógrafo de casamento, eles vão sendo construídos naquela manhã por todos os que para eles dão o seu pedacinho de tempo, de gesto, de opinião e, fundamentalmente, de afectos. É uma construção feita de muitas pequenas coisas, quase sempre sem ninguém pensar que está, naquele instante, a participar nela.

Alguém ajuda a escolher. Alguém ajeita. Alguém olha e diz que está bem. Alguém corrige qualquer coisa que esteja fora do lugar. Alguém sorri. Alguém se emociona. Alguém dá uma opinião que parece insignificante, mas que naquele momento era exactamente a opinião que era preciso ouvir.

E é nessa sucessão de pequenos gestos que o noivo e a noiva vão aparecendo.

Lá atrás, quando decidiram que ficavam noivos e se apresentavam como tal, não interessa para nada. Nessa altura, o fotógrafo nem sabia quem eram.

Agora, quando os olha pelo visor da sua máquina fotográfica, é assim que o fotógrafo de casamento vê as coisas nesse dia: um processo de transformação que começa.

Um processo de transformação

Entre a noiva e uma amiga dela, uma menina olha muito intensamente para ela enquanto lhe segura o véu, num momento captado pelo fotógrafo de casamento no Alentejo.

É como se cada um deles fosse um barro nas mãos de um escultor ou de uma escultora brilhante que, pelo talento e pelo gosto, os vai metamorfoseando.

Só que, neste caso, o escultor dividiu-se em muitos.

Cada pessoa faz o seu bocadinho. Cada gesto acrescenta qualquer coisa. Cada cuidado ajuda a que aquele noivo e aquela noiva cheguem ao ponto em que já podem partir para junto da outra metade e cumprir aquilo que estava prometido.

E talvez seja essa a razão pela qual há tantas coisas muito importantes para fotografar.

Não porque todas tenham o mesmo peso, nem porque todas sejam indispensáveis à cerimónia ou à festa, mas porque, juntas, contam como se chegou até ali.

Há coisas que se seguram nas mãos. Há outras que se dizem. Há outras que apenas se percebem num olhar.

E há gestos que duram apenas alguns segundos e que, no entanto, ficam.

É aí que as fotografias de casamento começam a ganhar outro sentido. Não são apenas fotografias de coisas importantes. São fotografias de tudo aquilo que, naquele momento, estava a fazer acontecer a pessoa que depois vamos ver no centro de tantas outras imagens.

Assim vê as coisas o fotógrafo de casamento

Ora, todos estes gestos do tal escultor que, afinal, se dividiu em muitos, e cada um deles fez o seu bocadinho, são os que fizeram as coisas muito importantes do dia do casamento.

Sem o seu cuidado, a sua perfeição na execução, o seu gesto carinhoso, o seu sorriso de orgulho e aprovação, nenhum noivo nem nenhuma noiva acabaria o resto do dia completo e cumprido.

E é precisamente aí que o olhar do fotógrafo de casamento encontra aquilo que procura.

Não é apenas o momento em que tudo está pronto. É também o caminho que levou até esse momento.

No rectângulo da sua câmara, ele vê mãos que ajudam, olhos que confirmam, rostos que se aproximam, pessoas que estão atentas e outras que, talvez sem darem por isso, estão a colocar mais um pequeno pedaço de si naquele noivo ou naquela noiva.

É um trabalho feito por muitos, mas que aparece, no final, concentrado em duas pessoas.

O fotógrafo sabe que, naquela altura, tudo o que acrescenta para a perfeição deles garante que, a partir dali, as coisas acontecerão exactamente como devem acontecer. E pode então aproveitar tudo isso, seguir o dia e transformar o que vê em memórias a que chama fotografias de casamento.

Ponto por ponto

  • De tantas coisas que acontecem no dia de um casamento, é difícil saber quais serão as mais importantes.
  • Há objectos e acontecimentos que têm uma importância evidente, mas há muitos outros gestos que só ganham verdadeiro significado quando olhamos para o conjunto.
  • O noivo e a noiva, enquanto tais no dia do casamento, são o resultado de muitas ajudas, opiniões, afectos, sorrisos e gestos.
  • Cada uma dessas pessoas deixa qualquer coisa delas naquele resultado final.
  • É assim que os vê, no visor da sua câmara, o fotógrafo de casamento que irá fazer memória com as fotografias.

Precisa de saber

  • Fotografar um dia de casamento também é perceber aquilo que está a acontecer antes dos momentos que todos reconhecem como importantes.
  • Os pequenos gestos da manhã podem explicar tanto ao noivo quanto à noiva o que acontecerá mais tarde.
  • Para quem fotografa, estar atento a essa construção é uma forma de acompanhar o dia sem separar as coisas umas das outras.

Conclusão:

Talvez, no fim, as coisas muito importantes para fotografar não sejam as que alguém decidiu previamente que eram importantes. Talvez sejam aquelas que, quando vistas através do visor, ajudam a perceber como duas pessoas chegaram àquele momento exactamente como tinham de chegar.

O noivo e a noiva aparecem no centro, mas à volta deles existe um trabalho silencioso feito por muitos. São esses gestos que os completam antes de partirem um para o outro.

E é isso que o fotógrafo de casamento procura guardar: não apenas o que aconteceu, mas aquilo que fez com que pudesse acontecer.


Para quem quer guardar também aquilo que os outros não veem

Se está a preparar o seu dia de casamento, talvez valha a pena pensar nas coisas que vão acontecer antes de tudo começar. Nas mãos que vão ajudar, nas pessoas que vão estar consigo, nos pequenos gestos que ninguém planeou fotografar, mas que fazem parte daquilo que será o seu dia.

É precisamente aí que gosto de estar com a minha câmara: a olhar, a acompanhar e a guardar aquilo que, muitas vezes, só percebemos que era importante quando já passou.

Se quer que essas pequenas coisas também façam parte da memória do seu casamento, fale comigo.




Por Fernando Colaço

Fotógrafo de casamentos Fernando Colaço. Estilo natural, discreto e fotojornalístico. Deixo que as fotos contem a história.