ESSENCIAL pelo FOTÓGRAFO DE CASAMENTO EM SINTRA

As fotografias são na Quinta do Pé da Serra em Sintra, na azáfama da preparação dos noivos, e dos outros, para o casamento
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O fotógrafo chega cedo ao casamento

As manhãs que têm noivos em dia de casamento e que nelas se vão preparar para isso têm, muitas vezes, um problema que, até hoje, o fotógrafo de casamento ainda não conseguiu perceber.
Em todos esses dias chega cedo, gosta de lá estar quando ainda nada leva a perceber que vai haver boda, muitas vezes nem valia a pena porque fica para ali à espera.
O noivo foi ali tratar de um assunto e ainda não está; a noiva, em conversa ao telefone com umas amigas, ainda não começou, sequer, a ser penteada, e quem o recebe não sabe bem onde estão as coisas deles para adiantar trabalho.
Ele espera.
A ver se encontra alguma fotografia

Ele é assim, já lhe tenho dito para não ir tão cedo, mas não vale a pena. Depois queixa-se que o tempo leva muito tempo a passar, começa a ficar com um frenesim miudinho na ponta dos dedos porque ainda não lhes está a dar uso e, assim que aproveita uma pequena oportunidade, lá vai ele a ver se encontra alguma fotografia.
Pode ser qualquer coisa que lhe apareça pela frente. Uma peça de roupa, uma janela, uma mão, um objecto que esteja por ali ou simplesmente alguém que, naquele momento, faça qualquer coisa que valha a pena guardar.
Ainda não começou verdadeiramente o dia de casamento, mas já há pequenas coisas a acontecer e o fotógrafo de casamento não gosta de as deixar passar procurando o melhor ponto de vista.
Depois, as coisas começam a acontecer como é suposto, cabeleireiros(as) para aqui, camisas que se abotoam com ajuda especial, maquilhadores(as) para ali, apoios e mãos lestas a calçar sapatos, vestir coletes e especialistas em nós de gravatas.
Há quem ajude, quem dê indicações, quem procure coisas e quem simplesmente esteja ali a conversar. Conversa, muita conversa, e o tempo a correr depressa como se ninguém tivesse pressa para se despachar a tempo.
É curioso como o mesmo tempo que, pouco antes, parecia não passar, começa de repente a não chegar para nada.
Retrato, essencial em dia de casamento

O fotógrafo de casamento, delirante com tanta fotografia a sair de todo o lado, esse, nem sabe o que é o tempo porque não tem tempo nenhum para perder com ele. Só as fotografias, já de casamento, lhe interessam.
Está no seu mundo especial e não se vai ralar com o tempo dos outros. Eles que resolvam se ficarem sem ele. O problema é que, quando ele precisa de um pouco, só um pouco, de tempo para fazer aquilo que acha essencial em dia de casamento, dizem-lhe que já não tem tempo.
Então?
Tiveram toda a manhã tanto tempo para fazerem o que vos apeteceu e agora que preciso só de um pouquinho dele já não o têm para mim?
E então os retratos?
Há ali um momento que o fotógrafo gostaria de não perder. O noivo e a noiva ainda estão antes de tudo o que vai acontecer a seguir e há qualquer coisa naquele instante que merece ficar fotografada. Não precisa de ser uma sessão, nem de ocupar uma eternidade. É só preciso algum tempo.
Mas esse tempo, que parecia existir em abundância quando ele chegou, entretanto, foi todo utilizado.
Os preparativos demoraram o que tinham de demorar, as conversas aconteceram, as ajudas foram dadas, as coisas foram sendo feitas e agora é preciso sair. O dia de casamento não espera pelo fotógrafo, nem pelos retratos que ele tinha pensado fazer.
E é aqui que ele olha para aquilo que ainda tem pela frente e percebe que terá de deixar essa fotografia para outra ocasião.
Outra parte da história para contar, em fotografias

Pois, mas não há. Acabou-se e o tempo nunca existiu a crédito. Temos que ir, tente no próximo.
Pronto, o que não se pode fazer, feito está, dizem que diz o povo e, como o tempo mudou para outro tempo a que é preciso chegar a tempo, lá vai o fotógrafo de casamento agarrando outras fotografias que irão contar, já, outra parte da história para relembrar, no tempo.
É assim.
Não há muito mais a fazer quando chega a hora de sair. Se não houve tempo para os retratos, há outras coisas para fotografar. Há alguém a despedir-se, uma porta que se abre, uma última ajuda na roupa, um olhar, um movimento qualquer que acontece naquele instante porque o casamento não ficou à espera.
E o fotógrafo também não pode ficar.
Vai atrás do que vem agora.
O tempo de uma manhã de casamento
Talvez seja por isso que estas manhãs tenham uma espécie de contradição que ele conhece bem:
- Chega quando parece que ainda não há nada para fotografar;
- Começa a fotografar e, quando dá por isso, já não há tempo para aquilo que ainda queria fazer.
É o mesmo dia, o mesmo relógio e as mesmas horas, mas parece que o tempo tem uma maneira diferente de passar conforme o que está a acontecer.
A preparação também faz parte da história
As fotografias desta crónica foram feitas na Quinta do Pé da Serra, em Sintra, durante a preparação dos noivos.
É justamente nesta altura que muitas vezes parece que o casamento ainda não começou. O noivo ainda pode estar a tratar de qualquer coisa, a noiva ainda está a ser preparada, há pessoas a ajudar e outras a conversar e o fotógrafo anda por ali, à espera de que as coisas lhe comecem a entregar fotografias.
Mas é dia de casamento.
Já está a acontecer.
A preparação faz parte do dia e, para quem fotografa, é também uma parte importante da história. É onde começam a aparecer as pessoas, os gestos, os pequenos acontecimentos e aquela mudança que se vai percebendo até chegar o momento em que já não há tempo para nada.
Por isso ele chega cedo.
Não é apenas porque gosta de chegar cedo. É porque não sabe o que vai encontrar quando chegar e não quer perder o que pode acontecer antes de tudo começar oficialmente.
Às vezes espera muito.
Outras vezes, quase nada.
Mas está lá.
E quando o tempo começa finalmente a correr, já tem fotografias para fazer.
O que fica quando o tempo acaba
Se os retratos dos noivos não aconteceram, não significa que aquela parte da manhã tenha ficado sem fotografias. A história continua a ser feita das coisas que aconteceram e que o fotógrafo teve tempo de ver.
Há sempre outra fotografia.
Talvez não seja a que ele tinha pensado. Talvez não seja sequer a que tinha imaginado quando chegou cedo. Mas é aquela que aconteceu naquele momento e que agora passa a fazer parte do dia.
E é isso que um fotógrafo de casamento tem de fazer muitas vezes: aceitar que nem tudo cabe no tempo que imaginou e continuar a olhar para o que está à sua frente.
O casamento não pára.
O fotógrafo também não.
E lá vai ele, a tempo para o que vai começar agora, agarrando outras fotografias que irão contar outra parte da história.
No tempo.
Conclusão:
Talvez o problema seja mesmo ele chegar cedo demais. Tem tempo quando ainda não precisa dele e, quando finalmente precisa de alguns minutos para fazer os retratos dos noivos, já não há tempo nenhum.
Mas talvez seja também por isso que gosta de chegar cedo.
Porque entre o tempo que demora a passar e o tempo que depois desaparece, há sempre fotografias que só poderiam ter acontecido ali, naquela manhã, naquele casamento e naquele preciso momento.
E essas, quando o tempo acabar, já ninguém lhas tira.
Se também ficar sem tempo para os retratos
Se também ficar sem tempo para os retratos no seu casamento, fique a saber que toda a história que acontecerá nesse espaço de tempo ficará contada.
Nem sempre será a fotografia que estava prevista, porque o dia de casamento não se deixa organizar pelo relógio do fotógrafo, mas haverá sempre um olhar atento ao que está a acontecer.
Foi assim na preparação destes noivos, na Quinta do Pé da Serra, e é assim que gosto de fotografar um casamento: estando lá, desde cedo, para ver aquilo que o dia decidir mostrar.
Contacte-me e conte-me como será o seu dia.
