A dança do fotógrafo de casamento à volta dos noivos

Noivos ao lado um do outro, olhando-se nos olhos e de mão dada numa parte da coreografia da primeira dança na abertura do baile na Casa de Reguengos.

A DANÇA pelo FOTÓGRAFO DE CASAMENTO EM LISBOA

Noivos ao lado um do outro, olhando-se nos olhos e de mão dada numa parte da coreografia da primeira dança na abertura do baile na Casa de Reguengos.

As fotos são na Casa de Reguengos, em Vila Franca do Rosário, na primeira dança dos noivos, na festa do casamento

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Fotógrafo de casamento, à volta do casal dançante

Com os braços esticados ao alto e de todas as mãos dadas, os noivos executam um passo de dança na abertura da pista de dança na festa do casamento na Casa de Reguengos.

Se pensam que, na primeira dança do dia do casamento, a felicidade da execução pertence apenas ao casal, estão enganados. Há ali qualquer coisa que vai muito para além dos dois, porque aquele primeiro movimento sobre a pista de dança é também uma espécie de sinal dado a todos os outros.

É ali que dizem, sem precisar de dizer nada, que a partir daquele momento é música. Música a decibéis pouco aconselháveis para os ouvidos, corpos cheios de energia que esteve a ser armazenada à mesa durante o jantar e que agora estão preparados para se mexer, saltar, rodopiar e aguentar todos os ritmos que saírem da mesa do DJ.

E, no meio de tudo isso, está o fotógrafo de casamento. Para ele, começa outra dança.

O fotógrafo também dança

Noivo segura na mão da noiva, ao alto, quando ela, junto dele, executa parte de um momento da dança da abertura do baile na festa do casamento na Casa de Reguengos.

Pois é. Isso acontece porque nunca viram o fotógrafo de casamento à volta daquele casal dançante, com uma máquina fotográfica no olho direito e outra ao ombro, pronta para uma diferente toma de vista.

Se alguma vez o tivessem visto, talvez comprovassem que não são apenas eles, o noivo e a noiva, que se divertem sob aquela chuva de notas musicais, em ritmo binário ou ternário, conforme aquilo que escolheram para começar a noite.

São eles os melhores para dançar em par, dizem.

E é também através dessa dança que mostram a todos os convidados que estão perfeitamente em harmonia, como deve acontecer entre a dança e a música. Um passo chama outro, uma volta traz uma nova posição, um movimento anuncia o seguinte. E, para quem está atrás da máquina fotográfica, tudo isso vai deixando pequenas pistas.

O fotógrafo segue-as. Não dança exactamente como eles. Dança à volta deles.

Move-se porque eles se movem. Pára porque percebe que naquele instante há uma fotografia para fazer. Afasta-se para os deixar entrar no enquadramento e aproxima-se novamente quando sente que alguma coisa vai acontecer.

A música, para ele, passa a ser quase uma coisa secundária.

À espera da fotografia que lhe vão entregar

Rodeados pelos seus convidados, os noivos abrem o baile na execução de passos de dança de salão, num momento captado pelo fotógrafo de casamento em Lisboa.

Essa é talvez a única diferença entre eles, o casal que dança, e o fotógrafo de casamento que está à sua volta.

Para o casal, a música é tudo. Para o fotógrafo, a música pode deixar de existir.

Às vezes parece mesmo que deixa de a ouvir. O movimento deles é suficiente para o conduzir. É aquilo que o motiva e que lhe diz para onde deve ir.

Ele rodopia à sua volta, pára de repente e desce ao nível do chão. Parece que salta e recua vários passos. Depois corre com suavidade, quase como um bailarino no Lago dos Cisnes, tentando chegar ao outro lado do palco a tempo de amparar a bailarina.

Só que aqui não há palco. Há uma pista de dança e há uma fotografia que está prestes a acontecer.

Ele sabe que vai acontecer porque já viu o movimento começar. Sabe-o pelos passos de dança, pelo ritmo, pela forma como o casal se desloca e por muitos anos disto.

Não é preciso que ninguém lhe diga para onde deve ir.

A lente também parece saber

Às vezes, o fotógrafo parece um daqueles polícias dos filmes de espiões, escondido muito quietinho à espera. Fica ali, parado, aparentemente sem fazer nada, como se tivesse desaparecido por uns instantes.

Mas está à espera daquela fotografia que eles, os noivos dançantes, lhe vão entregar três passos mais à frente. E, quando ela aparece, consegue-a. Depois salta de novo.

A lente que tem a mania de que sabe tudo já lhe está a gritar que vá para o outro lado. E ele sabe que tem de obedecer porque, até agora, ela nunca o deixou ficar mal. É uma relação curiosa esta entre o fotógrafo e a sua lente.

Enquanto o casal dança, ele olha, acompanha, prevê e reage. Há momentos em que parece saber exactamente onde deve estar, embora, para quem está a ver de fora, tudo pareça apenas uma sucessão de movimentos improvisados.

Talvez seja mesmo isso. Uma dança improvisada, mas não completamente. Porque há coisas que ele já conhece.

Sabe que depois daquele movimento vem outro. Sabe que, depois de uma volta, os dois podem ficar exactamente na posição que procurava. Sabe que uma aproximação pode entregar uma fotografia e que, logo depois, terá de se afastar para não perder a seguinte.

E continua.

Outra dança dada a apanhar fotografias em casamentos

Como podem ver, ao fotógrafo de casamento também a felicidade o leva a coreografias de improviso. Mas são coreografias dirigidas por aqueles que são os verdadeiros bailarinos da noite. O noivo e a noiva não lhe dão uma única indicação. Não precisam.

São eles que, através da sua dança, o vão harmonizando perfeitamente com a deles. E o fotógrafo vai atrás, acompanha, antecipa e deixa-se conduzir pelos seus movimentos.

Há qualquer coisa de bonito nisso.

Eles pensam que estão simplesmente a dançar. Ele sabe que está também a fotografar uma dança que só existe naquele momento e daquela maneira. Não pode pedir outra vez.

Não pode dizer: agora façam aquele movimento novamente porque a fotografia não ficou como queria. A fotografia acontece ali, se conseguir apanhá-la, fica; se não conseguir, já passou.

Por isso, aquela movimentação toda à volta do casal tem também qualquer coisa de urgência. Não é uma urgência que se veja, porque ele não quer interromper nada, mas uma urgência feita de atenção permanente.

Invisível, como ele gosta de pensar que é

No entanto, ele acha que nunca ninguém viu a sua performance. Como já tem aqui sido escrito muitas vezes, tem a mania de que é invisível. Por isso, arroja-se a tantos passos de uma outra dança, dada mais a apanhar fotografias em casamentos do que a olhares apaixonados.

Esses pertencem aos fotografados. Como deve ser. O casal é que deve aparecer.

O fotógrafo pode estar a correr, a recuar, a baixar-se, a rodopiar ou a desaparecer para um canto da pista. Pode estar a trocar de máquina ou a procurar outra posição. Pode estar a fazer uma fotografia quase junto ao chão ou a procurar uma vista diferente mais acima.

No fim, nada disso deve ficar na fotografia. O que deve ficar é a dança deles. O momento é deles. Aquela primeira dança que abriu a pista e que, a partir dali, entregou a festa a todos os outros.

E talvez seja essa a parte engraçada desta outra dança: o fotógrafo faz tudo para que ninguém repare que também esteve a dançar.

Ponto por ponto

  • Quando começa a dança, na festa do casamento, não são só os noivos que a fazem para abrir o baile. Também o fotógrafo de casamento executa a sua à volta deles.
  • A grande diferença entre ele e o noivo com a noiva, é seguir os movimentos deles em vez da música, que parece deixar de ouvir; tal é a sua concentração no casal.
  • Há momentos em que parece parado, mas está apenas à espera da fotografia que sabe que os noivos lhe vão entregar.
  • Quando essa fotografia aparece, muda novamente de posição e começa outra procura.
  • É claro que, com a sua mania de que é invisível quando está a fotografar, ninguém o viu e só o casal brilhou.

Precisa de saber

As fotografias que estão neste artigo foram tiradas na Casa de Reguengos, em Vila Franca do Rosário, Mafra, durante a primeira dança que abriu o baile do casamento.

É precisamente nestes momentos que percebo que fotografar um casamento também pode ser uma espécie de dança. Não aquela que se aprende, nem aquela que se ensaia, mas uma que nasce da observação e daquilo que os fotografados estão a fazer diante de nós.


Conclusão:

A primeira dança pertence ao casal, mas, enquanto eles dançam, há outra a acontecer à sua volta. O fotógrafo segue-os sem lhes pedir nada, procurando simplesmente estar no lugar certo quando a fotografia aparece.

Talvez seja essa a melhor maneira de explicar esta pequena coreografia: eles dançam para viver o momento e o fotógrafo dança para o conseguir guardar.


A vossa primeira dança

Se estão a imaginar a vossa primeira dança e gostariam que, enquanto vocês vivem esse momento, houvesse alguém a acompanhar todos esses movimentos sem interferir, é exactamente aí que entra o meu trabalho.

Estar perto quando é preciso, afastar-me quando a fotografia pede espaço e deixar que sejam vocês a conduzir toda a dança.


Por Fernando Colaço

Fotógrafo de casamentos Fernando Colaço. Estilo natural, discreto e fotojornalístico. Deixo que as fotos contem a história.