A preparação da noiva, pelo fotógrafo de casamento

Mão com pincel espalha o pó na face da noiva, quando esta se prepara para o seu casamento na Igreja Matriz de Reguengos de Monsaraz, num retrato pelo fotógrafo de casamento no Alentejo.

ACONTECIMENTO pelo FOTÓGRAFO DE CASAMENTO NO ALENTEJO

Mão com pincel espalha o pó na face da noiva, quando esta se prepara para o seu casamento na Igreja Matriz de Reguengos de Monsaraz, num retrato pelo fotógrafo de casamento no Alentejo.

As fotografias são em Reguengos de Monsaraz, no Alentejo, onde a noiva estava a aprontar-se para o casamento

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Fotografias que gostava muito

Uma amiga da noiva espreita à porta da sala onde a noiva está a ser penteada, quando se apronta para o dia do casamento

O fazer de uma noiva no dia do seu casamento é um acontecimento, por si só. Não precisava de mais nada o fotógrafo de casamento para sair feliz e cheio de fotografias se só estivesse incumbido de contar aquela parte do dia.

Faz-me lembrar quando, há já muitos anos, fazia alguns catálogos de moda para algumas empresas e me entretinha a fotografar, só para mim, a fase da maquilhagem e do moldar dos cabelos dos modelos escolhidos para a sessão. Aquilo era fabuloso para me oferecer fotografias de que gostava muito.

Não eram, muitas vezes, as fotografias que me tinham pedido. Eram as que aconteciam enquanto se fazia aquilo que tinha sido pedido.

Talvez seja por isso que ainda hoje me lembro desse tempo quando entro num quarto onde uma noiva está a preparar-se. Há qualquer coisa naquele momento que me é familiar.

As pessoas estão ocupadas, há coisas para fazer, há uma certa urgência no ar, mas, ao mesmo tempo, existem pequenas pausas e situações que ninguém parece estar ali para fotografar.

Eu estou. E isso chega-me.

Fotografias, do casamento, desejosas de o serem

Uma amiga da noiva aparece no meio de outras duas para ver como corre a preparação dela para a cerimónia.

Quando cheguei a fotógrafo de casamento encontrei este capítulo do dia do casamento que me encheu de ânimo e me fez, logo, sentir que pertencia ali. Ficou no meu espírito imediatamente imposto que ali deveria voltar sempre que me fosse possível.

Por um lado, porque tenho ali toda uma liberdade na procura de qual é o melhor sítio para a composição que me parece ser o melhor para determinado momento da preparação da noiva, e, por outro, não preciso de fazer nada para que me seja entregue toda uma quantidade e, fundamentalmente, qualidade de fotografias desejosas de sê-lo.

É uma coisa que continua a acontecer.

A noiva está a ser maquilhada, o cabelo vai tomando forma, alguém entra, alguém sai, alguém pergunta se está tudo bem. Há uma mão que ajeita qualquer coisa, um olhar para o espelho, uma conversa que começa num lado e acaba noutro. E, no meio disto tudo, as fotografias aparecem.

Não tenho de pedir àquela pessoa que faça determinada coisa. Não tenho de interromper uma conversa para conseguir um gesto.Não tenho de explicar a ninguém onde deve ficar. Tenho apenas de olhar.

Claro que o fotógrafo de casamento procura. Procura a luz, o enquadramento, a posição de onde consegue ver melhor aquilo que está a acontecer. Mas é uma procura que se faz dentro de uma realidade que já está a acontecer.

E isso dá-me uma liberdade de que gosto muito.

Posso estar num determinado sítio e, de repente, perceber que é melhor ir para outro ponto de vista. Posso estar a fotografar a noiva e reparar numa pessoa que está atrás dela. Posso esperar dois segundos ou mudar imediatamente de posição. A fotografia pode estar onde eu pensava que estava ou aparecer completamente noutro lugar.

É esta imprevisibilidade que me prende.

Uma noiva nunca está sozinha

Detalhe das rendas do vestido da noiva com pedras decorativas.

Mas não se fica por aqui. Uma noiva não está para ali sozinha, detentora de uma magia que só as noivas é que estão capacitadas para usar, e de repente, pronto, já está, chamem o motorista, quero ir ter com o meu mais que tudo junto de quem nos vai casar.

Se assim fosse, não teria graça nenhuma e o fotógrafo de casamento não teria aquela vontade com que ficou logo na primeira vez.

À volta dela acontece um redemoinho.

Há quem esteja a trabalhar, quem dê opiniões, quem espreite, quem fiscalize, quem tente ajudar e quem esteja simplesmente ali porque é impossível não estar. Todos têm qualquer coisa para fazer ou, pelo menos, acham que têm.

E há sempre alguém que pergunta:

— Está tudo bem?

Depois vem outra pessoa e pergunta outra coisa. Alguém olha para o cabelo. Alguém olha para a maquilhagem. Alguém olha para a noiva. E, por vezes, parece que toda aquela gente está a fiscalizar a construção de uma coisa que só pode existir naquele dia. A noiva.

Às vezes até parece uma manifestação de teatro experimental onde ficamos com a ideia de que não existiu nenhum ensaio, mas onde verificamos que, afinal, todos vão cumprindo o seu papel na perfeição.

É uma coreografia sem ensaio. E é precisamente isso que me interessa.

Não há necessidade de organizar aquele pequeno mundo para que ele funcione fotograficamente. Ele já funciona.

O fotógrafo de casamento só precisa de estar dentro dele.

Irresistível para o fotógrafo de casamento

À volta dela, da noiva, acontece um redemoinho de outros que se movimentam, espreitam, dão opiniões e fiscalizam, obrigando a uma pressão maior a quem está encarregado de, como se numa tela, criar a noiva mais bonita que alguma vez foi criada.

E enquanto tudo isso acontece, eu vou fotografando. Há momentos em que quase desapareço dali.

Não no sentido de deixar de estar presente, mas porque deixo de pensar noutra coisa que não seja aquilo que está diante de mim. A câmara passa a ser uma espécie de continuação do olhar e as coisas vão acontecendo depressa.

Uma expressão. Um gesto. Uma pessoa que passa. Uma mão que aparece. Um instante em que todos parecem estar concentrados na mesma coisa. Depois, de repente, há outra coisa a acontecer. É irresistível.

Direi mesmo, um fotógrafo, qualquer que seja, assim que pega numa câmara fotográfica, fica tomado por uma espécie de obsessão à qual não consegue resistir de maneira nenhuma. Qualquer pessoa que tenha esse hábito sabe do que falo.

É aquela vontade de fazer mais uma fotografia porque, justamente naquele momento, apareceu qualquer coisa que não estava lá antes.

E depois mais uma e outra.

Não porque exista uma obrigação de fotografar tudo, mas porque há uma vontade genuína de não deixar passar aquilo.

O que me prende nesta parte do dia

  • A preparação da noiva oferece uma enorme liberdade para procurar fotografias.
  • As pessoas à volta dela criam uma sucessão de situações que não precisam de ser encenadas.
  • Pequenos gestos e acontecimentos tornam-se fotografias sem que ninguém os tenha preparado.
  • O fotógrafo pode simplesmente observar e escolher, entre tudo o que acontece, aquilo que lhe interessa guardar.

O tempo passa sem dar por isso

Talvez seja também por isso que, muitas vezes, só me apercebo de que a preparação acabou quando a noiva já está pronta. Durante aquele tempo, parece sempre haver qualquer coisa para fotografar.

– Ainda falta um pequeno detalhe.

– Ainda é preciso verificar qualquer coisa.

– Alguém chama alguém.

– A noiva olha para o espelho.

Há uma última passagem de mãos pelo cabelo. E eu continuo ali. Quando dou por mim, já estão a dizer que é altura de sair.

É uma sensação curiosa porque, fotograficamente, parece que comecei há pouco. Mas o dia não espera pelo fotógrafo e a noiva tem de partir. É então que aquela pequena espécie de teatro começa a desaparecer.

As pessoas que estavam à volta dela começam a deslocar-se. Cada uma retoma o seu lugar no que vem a seguir. A noiva deixa de estar naquele espaço e vai finalmente ao encontro do noivo e da cerimónia do casamento.

E eu vou atrás.

Uma noiva e um noivo dados a esses preparos

É claro que muitas outras coisas podem ser ditas e escritas sobre essa parte do dia do casamento de uma noiva e de um noivo, dadas essas preparações.

Mas, para o fotógrafo de casamento, o que lhe importa mais é saber que continua a ser-lhe irresistível pegar rapidamente numa das suas câmaras, ligar-lhe a lente que acha própria para aquela altura e só se aperceber de que estão a sair deste sítio quando já estão a ir embora para outro lugar.

Pois, é mais ou menos assim. Há qualquer coisa de muito simples nisto.

A preparação da noiva não precisa de ser transformada numa coisa extraordinária para produzir fotografias que me interessam. Ela já é extraordinária naquilo que tem de próprio: pessoas ocupadas, pequenos nervos, concentração, movimento, espera e aquela expectativa de que, dentro de pouco tempo, a noiva vai sair dali.

E há também uma espécie de passagem. Ainda há pouco tempo estava a ser maquilhada. Depois estava a ser penteada. Depois alguém ajudava com qualquer coisa. E, de repente, já está pronta.

O fotógrafo acompanhou essa transformação sem precisar de a provocar. Foi apenas vendo. E fotografando.

É por isso que gosto tanto deste pedaço do dia. Não apenas pela quantidade de fotografias que dali podem sair, mas porque sinto que elas nascem de uma maneira muito próxima daquilo que gosto de fazer.

Observar primeiro. Fotografar depois. Não é preciso complicar.

Ponto por ponto:

  • Para o fotógrafo de casamento, bastava ter a incumbência das fotografias da preparação de uma noiva para o casamento e satisfazer o seu gosto de fotografar.
  • Ali tem uma liberdade total para encontrar todas as maneiras por onde as fotografias se oferecem e elas são-lhe entregues sem que precise de fazer nada para isso.
  • À volta da noiva, toda uma coreografia sem ensaio se desenrola, cada um sabendo exactamente o que precisa de fazer.
  • A preparação permite acompanhar uma transformação sem necessidade de a dirigir.
  • Muitas vezes, tal é o seu envolvimento, só se apercebe de que a noiva está pronta quando a vê de partida para o outro lugar do dia do casamento.

E depois é preciso ir

Há uma altura em que não há mais fotografias para fazer ali. Ou, pelo menos, é isso que o relógio decide. A noiva está pronta e o dia continua.

O fotógrafo de casamento não se vai embora, naturalmente. Há ainda o encontro com o noivo, a cerimónia do casamento e tudo aquilo que vem depois. Mas aquela pequena história terminou. Ficam as fotografias.

Fica também aquela sensação de que, se tivesse ficado mais dez minutos, provavelmente ainda teria encontrado outras. É assim que acontece quando se gosta de fotografar.

Talvez seja essa a verdadeira razão pela qual gosto tanto desta parte do casamento. Não é apenas porque a noiva está bonita, nem porque existe toda aquela preparação que todos reconhecemos.

É porque existe vida e, onde existe vida, há sempre qualquer coisa que me dá vontade de fotografar.


Conclusão:

A preparação da noiva continua a ser, para mim, um daqueles momentos do dia de casamento em que quase tudo o que procuro já está a acontecer. Não preciso de pedir, organizar ou inventar. Preciso de estar atento.

É uma sucessão de pequenos acontecimentos que se juntam, desaparecem e dão lugar a outros. E talvez seja exactamente por isso que gosto tanto das fotografias que dali saem.

Porque não fui eu que as fiz acontecer. Eu estava lá quando aconteceram.

Precisa de saber:

É claro que o fotógrafo de casamento não se vai embora assim que a noiva parte para a cerimónia do casamento. Ele encontra, logo, outras razões para essa nova etapa. Mas há fotografias que ficam especialmente ligadas àquele momento em que tudo ainda estava a acontecer à volta da noiva, antes de ela sair.


Vamos conversar

Se também procura alguém que esteja atento a esses momentos que não se repetem, podemos falar sobre o seu dia de casamento e como gostaria de o ver fotografado.



  • As fotografias que estão no texto deste artigo foram tiradas quando a noiva se estava a preparar para o casamento na Igreja Matriz de Santo António em Reguengos de Monsaraz, no Alentejo.

Por Fernando Colaço

Fotógrafo de casamentos Fernando Colaço. Estilo natural, discreto e fotojornalístico. Deixo que as fotos contem a história.